fbpx
Hormônios: Conheça os essenciais para nosso corpo e como funcionam.

Hormônios: Conheça os essenciais para nosso corpo e como funcionam.

Nós falamos o tempo todo sobre sistema endócrino, glândulas, metabolismo e hormônios e, principalmente, sobre a importância destes para o bom funcionamento do organismo como um todo. Mas, afinal.

 

O que são hormônios?

Hormônios são moléculas sinalizadoras produzidas por glândulas do nosso sistema endócrino. Eles controlam e estimulam funções vitais do nosso corpo através do envio de sinais para receptores específicos. Portanto, eles circulam livremente pela nossa corrente sanguínea, mas só atingem determinadas células, tecidos ou órgãos que estão naturalmente designadas para responder à sua ação. Esses são chamados receptores alvos.

Cada um desempenha uma função única no organismo que se manifesta em determinadas situações. A seguir, confira os principais hormônios presentes em nosso organismo e como atuam.

  • Ocitocina: Estimula a contração do útero e a secreção de leite pelas glândulas mamárias.
  • Hormônio folículo-estimulante (FSH): Na mulher, age nas gônadas femininas promovendo o crescimento dos folículos ovarianos. No homem atua na maturação dos espermatozoides.
  • Hormônio luteinizante (LH): Estimula a ovulação e síntese de testosterona.
  • Hormônio estimulador da tireoide (TSH): induz a glândula tireoide a secretar seus hormônios tireoidianos T3 e T4
  • Antidiurético (ADH): Atua principalmente nos rins, ajudando na excreção de água. Além de ser essencial para regular a pressão sanguínea.
  • Prolactina: Estimula a produção de leite.
  • Tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3): Hormônios tireoidianos que atuam em processos metabólicos.
  • Calcitonina: Regula os níveis de cálcio no sangue.
  • Epinefrina e norepinefrina: Esses hormônios são responsáveis pela nossa resposta a situações de estresse e perigo (como um acidente, por exemplo). Em situações assim, sua liberação causa aumento da respiração, elevação da pressão sanguínea e da taxa metabólica.
  • Leptina: É um hormônio produzido pelo tecido adiposo que ajuda no controle da saciedade.
  • Insulina: Atua reduzindo os níveis de glicose no sangue. Além de possibilitar a entrada de glicose nas células.
  • Glucagon: Aumenta os níveis de glicose no sangue.
  • Estrogênio: participa do ciclo menstrual e desenvolvimento das características sexuais femininas.
  • Progesterona: Induz o crescimento do endométrio durante o ciclo menstrual.
  • Testosterona: Estimula o desenvolvimento do sistema reprodutor masculino e das características sexuais secundárias.
  • Somatotrofina: Age na produção de tecidos, ossos e cartilagens. Também é conhecida como o hormônio do crescimento.

 

Hormônios: Outras classificações

Os hormônios também são divididos em grupos conforme as glândulas pelas quais são produzidos. Sendo:

  • Proteínas: hormônios produzidos pela hipófise (ex: hormônios de crescimento, TSH, FSH, prolactina, LH) e pelo pâncreas (insulina e glucagon).
  • Derivados fenólicos: hormônios produzidos pela medula, pela suprarrenal (adrenalina, cortisol) e pela tireoide (T3, T4).
  • Esteroides: hormônios do córtex, da suprarrenal e das gônadas.
    Os hormônios também podem ser divididos conforme suas funções entre: 
  • Metabólicas: controlam a velocidade das reações químicas celulares.
  • Morfogenéticas: regulam o crescimento e o desenvolvimento de certos órgãos e dos tecidos.
  • Sexuais e reprodutivas: controlam o desenvolvimento dos caracteres sexuais no âmbito morfológico, fisiológico e psicológico.
  • Nervosas e mentais: influem sobre a formação do caráter e da personalidade.

 

Desiquilíbrios hormonais

Quando as glândulas produzem poucos hormônios (hipofunção) ou hormônios em excesso (hiperfunção) ocorre o que chamamos de desiquilíbrio hormonal.

Muitas síndromes graves são causadas por desiquilíbrios hormonais, ou possuem alterações hormonais como um de seus fatores. Entre elas:

-Diabetes

-Hipotireoidismo

-Hipertireoidismo

-Síndrome do Ovário Policístico (SOP)

-Obesidade

-Osteoporose

-Puberdade precoce

Não existe um tratamento específico para desequilíbrio hormonal. Portanto, é necessário tratar a doença ou síndrome que a disfunção hormonal tem causado. Para isso, um endocrinologista deve ser consultado.

Os sintomas que a pessoa pode sentir devido à um desequilíbrio hormonal vão variar de acordo com o distúrbio hormonal. Mas alguns sinais podem ser percebidos na maioria das alterações. Entre eles:

  • Alterações no sono (insônia ou sonolência)
  • Surgimento de acne
  • Mudanças de peso (ganho ou perda sem causa aparente)
  • Alterações de humor (Mania, depressão ou irritabilidade)
  • Fadiga excessiva
  • Dores de cabeça constantes
  • Secura vaginal
  • Perda da libido
  • Intolerância ao clima (muito calor ou intolerância ao frio)

A associação de um ou mais desses sintomas pode indicar distúrbios de tireoide, menopausa, Síndrome dos Ovários Policísticos. Já o diabetes, que também é derivado de uma alteração hormonal, apresenta sintomas diferenciados e característicos. Para um diagnóstico preciso e correto esteja em dia com o seu acompanhamento endócrino.

 

Reposição Hormonal

Quando esses distúrbios ocorrem por baixa ou queda na produção de hormônios, como no caso do hipotireoidismo e da menopausa, é necessário fazer a reposição hormonal. O tratamento com reposição hormonal é extremamente necessário em algumas situações, como em gestantes com hipotireoidismo. Em outros casos desempenhas um papel fundamental no alívio dos sintomas, como durante a menopausa.

Quando o desequilíbrio hormonal é hiperativo, como ocorre no hipertireoidismo, o tratamento se baseia em medicamentos inibidores de produção hormonal.

 

Desreguladores endócrinos

Existem substâncias químicas, de origem natural ou produzidas pelos humanos capazes de interferir na produção do nosso sistema endócrino. Essas são conhecidas como desreguladores endócrinos.

Os desreguladores endócrinos na corrente sanguínea podem imitar os hormônios e se ligar a seus receptores alvos. Dessa forma, eles causam efeitos adversos, bloqueando a ação necessária entre os hormônios e seus receptores. Por exemplo, poderiam interferir na produção de T3 e T4 ao se ligarem a tireoide. Como sabemos, alterações nas produções destes e de outros hormônios resultam em um mau funcionamento de funções primordiais do organismo.

Estima-se que estejamos cotidianamente expostos a mais de 85 mil produtos químicos artificiais. E que pelo menos 1.000 deles interfiram em nosso funcionamento hormonal. Eles podem ser absorvidos de forma digestiva, aérea ou dérmica.

Para ter uma boa regulação hormonal é fundamental ainda manter uma alimentação balanceada e praticar exercícios físicos com regularidades. Pois, esses hábitos estão diretamente relacionados a quantia de hormônios que será liberado no organismo.

Não descuide de você, pratique bons hábitos e em caso de desequilíbrios hormonais consulte um endocrinologista.

Conheça a síndrome metabólica e descubra seus riscos e tratamento

Conheça a síndrome metabólica e descubra seus riscos e tratamento

A Síndrome Metabólica (SM) é um termo genérico que descreve uma condição na qual o paciente possui um quadro de vários fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e AVC associados. Essa doença está fortemente associada à excesso de peso e envelhecimento, sendo que sua prevalência tende a aumentar conforme a idade. Conforme dados, um quarto da população mundial possuí a SM e ela pode acarretar consequências tão graves quanto outras doenças como diabetes e câncer.

No Brasil, cerca de 38,4% possuí quadro de SM, e a prevalência é maior entre mulheres. Aproximadamente um a cada três brasileiros têm Síndrome Metabólica.

Infelizmente, essa condição tem atingido pessoas cada vez mais jovens, uma vez que a alimentação regada à Junk Food e o sedentarismo de muitas horas em frente à aparelhos eletrônicos contribuem para o seu desenvolvimento.
Essa síndrome pode também ser chamada de “Síndrome de resistência à insulina”. A insulina é um hormônio que além de desempenhar a função de retirar a glicose do sangue e levá-la às células do nosso organismo, também atua no metabolismo das gorduras. Quando ocorre resistência à insulina, há uma dificuldade de ela exercer suas ações. A síndrome metabólica também recebe esse nome por designar várias doenças e pré-condições que aumentam essa resistência.

O termo Síndrome Metabólica surgiu na década de 80 através de um pesquisador chamado Reaven, ele observou que as doenças frequentes como hipertensão, alterações na glicose e no colesterol estavam, na maioria das vezes, associadas à obesidade. Ele constatou também que essas condições tinham em comum a resistência insulínica. A valorização da presença da síndrome ocorreu após notar-se sua relação com doenças cardiovasculares. A mortalidade entre pessoas com síndrome metabólica é duas vezes maior do que entre pessoas sem a síndrome, e a mortalidade decorrente de doenças cardiovasculares, três vezes maior entre esses pacientes.

Mesmo que, na maioria das vezes, a pessoa com síndrome metabólica possa se sentir bem e não apresentar sintomas, deve-se estar atento, fazendo exames regulares e dando prioridade ao diagnóstico dos fatores de risco. O diagnóstico para síndrome é confirmado quando a pessoa apresenta três ou mais destes fatores:

  • Quantidade de gordura abdominal em excesso: Em homens, cintura com mais de 102 cm e nas mulheres maior que 88cm.
  • Baixo HDL (Colesterol Bom): Em homens, menor que 40mg/dl e em mulheres menos do que 50mg/dl.
  • Triglicerídeos elevado (nível de gordura no sangue): 150mg/dl ou superior.
  • Pressão sanguínea alta: 135/85 mmHg ou superior.
  • Glicose elevada: 110mg/dl ou superior.

Como podemos observar, as chances de desenvolver a síndrome aumentam de acordo com o peso, influenciadas por um estilo de vida sedentário, como já citado, e pré-condições como histórico de diabetes na família.

 

Exames e diagnóstico

Se tratando de um distúrbio complexo, o diagnóstico da síndrome envolve vários aspectos a serem analisados. Entre eles o histórico clínico, que inclui: idade, tabagismo, prática de atividade física, história pregressa de hipertensão, diabetes, diabetes gestacional, doença arterial coronariana, acidente vascular encefálico, síndrome de ovários policísticos (SOP), doença hepática gordurosa, hiperuricemia, história familiar de hipertensão, diabetes e doença cardiovascular e outros.

Os exames que compõe o diagnóstico são; medida da circunferência abdominal, cálculo do IMC e exame cardiovascular. Além desses, o médico também pode solicitar avaliação do nível glicêmico, dosagem do HDL – colesterol e dos triglicerídeos e eletrocardiograma.

 

Prevenção

Conforme a OMS os fatores de risco que mais influenciam na taxa de mortalidade por doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT) são hipertensão, hipercolesterolemia, ingestão insuficiente de frutas, hortaliças e leguminosas, sobrepeso ou obesidade, sedentarismo e tabagismo. Cinco desses fatores estão relacionados à alimentação e à atividade física e três deles têm grande impacto no aparecimento da síndrome metabólica.
Embora alguns pacientes apresentem pré-disposição genética para o desenvolvimento da síndrome, corrigir a alimentação inadequada e a inatividade física ainda é a principal forma de prevenir a doença.

O cenário ideal, que é um desafio para a maioria dos países, é que a população adote desde a infância um estilo de vida mais saudável a fim de prevenir essa síndrome e ter uma expectativa de vida maior e com mais qualidade.

A alimentação adequada, como forma de prevenção, deve ser:

  • Permitir a manutenção do balanço energético e do peso.
  • Reduzir a ingestão de calorias sob a forma de gorduras, mudar o consumo de gorduras saturadas para gorduras insaturadas e reduzir o consumo de gorduras trans
  • Aumentar a ingestão de frutas, hortaliças e legumes
  • Reduzir a ingestão de açúcar livre e de sal (sódio) sob todas as formas.
    A atividade física também deve ser priorizada, uma vez que baixo condicionamento cardiorrespiratório e pouca força muscular aumentam a prevalência da SM em três a quatro vezes. O recomendado é praticar pelo menos 30 minutos de atividade diária, pode ser aeróbica de moderada intensidade.

síndrome metabólica

 

Tratamento

Pelo fato dessa Síndrome Metabólica estar associada ao maior número de eventos cardiovasculares, é importante tratar cada um dos fatores que compõe a síndrome. Cada quadro deve ser avaliado e orientado individualmente por um endocrinologista, que poderá prescrever medicamentos para ajudar no controle dos fatores, como os sensibilizadores da insulina, que ajudam a baixar a açúcar no sangue e remédios controle da hipertensão e triglicérides.

Mas também é fundamental seguir com as medidas descritas na prevenção, estilo de vida mais saudável, evitando fumo e álcool, praticando atividades físicas regulares e perdendo peso.

Além disso, recomenda-se que o tratamento para obesidade deva ser o foco principal do tratamento da síndrome metabólica. Esse deve ser feito através de orientação e acompanhamento médico, podendo haver recomendação de remédios ou procedimentos cirúrgicos quando necessário.

Fique atento, tenha bons hábitos, faça exames regulares. cuide de sua saúde e consulte seu médico caso perceba dois ou mais fatores de risco da síndrome metabólica.

Menopausa: tudo o que você precisa saber

Menopausa: tudo o que você precisa saber

Numa resolução simples, a menopausa nada mais é do que a última menstruação da mulher, quando as funções ovarianas diminuem e os ciclos menstruais da mulher se tornam irregulares até, por fim, cessarem. Porém, na prática e no dia a dia, sem o devido acompanhamento e entendimento, esse se torna um período difícil e muito frustrante de se passar.

Isso por que, entre a fase reprodutiva e a fase pós-menopausa, o organismo feminino passa por um período de transição chamado climatério. É durante esse período precisamente em que os ovários gradualmente param de produzir estrogênio e progesterona e por isso o corpo da mulher sofre diversas mudanças difíceis de lidar. Algumas delas e as mais relatadas são as ondas de calor, alterações no sono, irritabilidade, depressão, indisposição, perda da elasticidade da pele e diminuição da densidade óssea. Além disso, o padrão do corpo feminino muda durante essa fase, e ela tende a adquirir um acúmulo de gordura na região abdominal.

Isso acontece por que, diferentemente do que ocorre com o estrogênio e progesterona, a produção de testosterona não decai, e isso passa a interferir na constituição do corpo feminino, trazendo algumas características do corpo masculino, como pelos no rosto e tendência à gordura localizada no abdômen.

A fase de pré-menopausa em que se começa a notar irregularidades no ciclo menstrual, mas sem sintomas, pode durar alguns anos. Já o climatério em si, quando sintomas começam a aparecer, ocorre mais perto da menopausa, que só é confirmada quando se completa um ano sem menstruar.

Osteoporose e Menopausa.

Como já citado, durante a menopausa, o mal-estar e complicações que a mulher vem a sentir são decorrentes da parada dos ovários e da deficiência de estrogênio. No caso específico da osteoporose, o que ocorre é que o estrogênio atua como um “transportador” que leva o cálcio até os ossos. O cálcio atua mantendo a massa óssea e fortificando o osso. Se não há estrogênio, o cálcio não chega de maneira eficiente aos ossos, o que causa uma diminuição da densidade óssea. Se a mulher já tem predisposição, esse quadro pode evoluir para uma osteoporose.

A osteoporose é uma doença metabólica e sistêmica, que, portanto, atinge todos os ossos, deixando-os mais porosos e mais propensos a fraturas espontâneas. Como o principal fator que faz as mulheres pós-menopausa serem as mais acometidas pela osteoporose é a ausência de estrogênio. Apenas tomar cálcio não ajuda muito a recuperar a massa dos ossos. Aliar o consumo do nutriente ao bom tratamento de reposição hormonal tende a apresentar resultados melhores.

Além da terapia hormonal, a mulher pode adotar uma dieta rica em Fitoestrogênios, que vai ajudá-la a balancear os níveis de estrogênio e aliviar os sintomas e consequências da menopausa.

Os fitoestrogênios podem ser encontrados em sementes de linhaça, soja, sementes de gergelim, húmus, alho, alfafa, pistache, sementes de girassol, ameixas e amêndoas.

Durante essa fase é normal a mulher sentir alterações de humor, tristeza ou ansiedade, por isso os alimentos ricos em triptofano também ajudam a passar melhor pela menopausa.

O triptofano é um aminoácido essencial que não é sintetizado pelo organismo e que participa da produção de serotonina, melatonina e niacina, ajudando a melhorar o ânimo e aumentando a sensação de prazer e bem-estar. Ele pode ser encontrado em alimentos como banana, brócolis, nozes, castanha, amêndoas.

Menopausa Precoce

A menopausa precoce se dá quando há um envelhecimento prematuro dos ovários da mulher. Se os ovários param de liberar óvulos antes dos 40 anos, é considerado menopausa precoce. Essa condição é um problema principalmente para mulheres em idade fértil que ainda desejam ter filhos. Isso ocorre quando a mulher nasce com uma quantidade menor do que o normal de folículos ovarianos, ou quando, por algum motivo, seus folículos são consumidos mais rápido que o normal.

Segundo estimativas, 0,1% das mulheres entram em menopausa antes dos 30 anos, 0,25% antes dos 35 anos e 1,0% antes dos 40 anos. Uma das causas mais comuns que levam à menopausa precoce é o contato com drogas e toxinas ao longo da vida. Mulheres que fizeram tratamento a base de quimioterapia e radioterapia, por exemplo, tem mais chances de desenvolver essa condição. Assim como aquelas que tiveram contanto com altas doses de pesticidas. O cigarro também é um fator de risco para a menopausa precoce. Em média, mulheres fumantes entram na menopausa 2 anos mais cedo do que as não fumantes.

Histórico na família de menopausa precoce também é um sinal de alerta para uma maior possibilidade de desenvolver essa condição. Os sintomas da menopausa precoce são praticamente os mesmos da menopausa que ocorre no tempo previsto e incluem; irregularidade nos ciclos menstruais, instabilidade emocional, ondas de calor repentinas (também conhecidas como “fogachos”), secura vaginal e perda da libido. Se a mulher perceber esses sintomas ocorrendo com frequência, deve procurar auxílio médico, mesmo que ainda não esteja na idade em que é comum o surgimento da menopausa.

Atenção para as doenças cardiovasculares.

Além de todas as suas funções no metabolismo, nos ossos e durante a gravidez, outro importante papel que o estrogênio desempenha no corpo é o de proteção contra a formação e acúmulo de placas que obstruem os vasos sanguíneos, fator que causa doenças como infarto e AVC. Por isso, diante da perda de estrogênio sofrida, a mulher na menopausa está duas vezes mais propícia à apresentar quadros de doenças cardiovasculares.

Portanto, para passar por essa fase com bem-estar e qualidade de vida, é essencial que a mulher faça um tratamento baseado em terapias de reposição hormonais, que são muito eficientes no alívio dos sintomas e que podem evitar outras complicações. As terapias devem ser indicadas pelo médico de acordo com o que for melhor para a paciente. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico e acompanhamento do climatério e menopausa, maiores chances de passar esse período com saúde e tranquilidade.

Menopausa: Terapia Hormonal

Menopausa: Terapia Hormonal

A palavra menopausa surgiu em uma obra escrita por um médico francês, Charles Gardanne, no ano de 1816, e representa a união dos termos ménès e pause, sendo traduzido para mês e fim da menstruação.  E essa parada da menstruação é um marco muito importante na vida das mulheres, pois há profundas mudanças, tanto no nível psíquico como físico, mudanças essas que podem afetar levemente ou intensamente a qualidade de vida.

E a menopausa ocorre em consequência da falência ovariana fisiológica, com a queda dos hormônios estrógenos. Ela é caracterizada após 12 meses sem menstruar.  Já o período anterior a menopausa em que há irregularidade menstrual é chamada climatério, período no qual a mulher já pode começar a sofrer os efeitos da redução dos hormônios estrógenos.

 

Manifestações Clínicas que Podem Surgir na Menopausa

  • Irregularidade menstrual;
  • Sangramento uterino alterado;
  • Parada da menstruação;
  • Ressecamento vaginal;
  • Sangramento após a relação sexual;
  • Dispareunia – dor na relação sexual;
  • Incontinência urinária;
  • Infecções urinárias de repetição;
  • Ressecamento e enrugamento da pele decorrentes de modificações do colágeno;
  • Aumento da fragilidade capilar;
  • Hirsutismo facial – pelos na face em regiões comuns nos homens;
  • Irritabilidade;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Diminuição da libido (desejo sexual);
  • Insônia;
  • Diminuição da memória;
  • Fogachos (ondas de calor);
  • Aumento do colesterol ruim (LDL), diminuição do colesterol bom (HDL), aumentando o risco para doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico;
  • Aumento da gordura abdominal (da barriga) e diminuição da massa muscular, aumentando o risco de diabetes entre outras;
  • Osteopenia/osteoporose;
  • Osteoartrite (artrose);
  • E outras;

 

Benefícios da Terapia Hormonal da Menopausa

Os benefícios são inúmeros, mas os mais importantes são:

  • o alivio dos fogachos (ondas de calor);
  • melhora da secura vaginal;
  • melhora da massa óssea;
  • redução da insônia e das mudanças de humor;
  • redução do risco de diabetes;
  • menor acúmulo de gordura abdominal;
  • diminuição do risco de câncer colorretal, entre muitos outros benefícios.


No entanto, essa terapia também pode levar a prejuízos a saúde quando mal indicada e feita por profissional não capacitado
, pois pode em determinados grupos de mulheres e dependendo também dos hormônios utilizados, aumenta-se o risco de doença cardiovascular, câncer de mama e tromboembolismo.

Nunca é demais lembrar que somente profissionais qualificados devem prescrever essa terapia para que você obtenha somente os benefícios.

 

Tratamento

A mulher, antes do tratamento, deve passar por uma boa avaliação médica, com a realização de diversos exames. E a terapia é:

  • Alimentação saudável;
  • Exercício físico;
  • Hormônio estrógeno;
  • Hormônio progestógeno – se a mulher tiver útero;
  • Para mulheres em que há contra contra – indicação ao uso de estrógeno: tibolona, raloxifeno e fitoestrógenos (fraca evidência de alguma eficácia);
  • Antidepressivos e outros medicamentos de pouca evidência da eficácia.

 

 Dica Mais Importante de Todas!!

  1. SOMENTE realize terapia com profissionais capacitados, pois terapia com hormônio não é brincadeira. Pode oferecer diversos benefícios, mas com os hormônios errados ou mal indicada, pode levar a sérios prejuízos a sua saúde;
  2. CORRAM dos profissionais que mandam manipular os hormônios em farmácias de manipulação, pois a dose desses hormônios é muito baixa, sendo muito difícil ser quantificado. A pureza deve ser alta;
  3. E mais uma vez, CORRA QUILÔMETROS de profissionais que LOGO NO INÍCIO da terapia já queiram te prescrever TESTOSTERONA!!!!

 

Referência:

Endocrinologia Feminina e Andrologia. Ruth Clapauch. Segunda Edição. 2016.

 

Síndrome dos Ovários Policísticos

Síndrome dos Ovários Policísticos

Mais uma causa de obesidade e outras doenças.

 

Muitas mulheres apresentam obesidade, diabetes, infertilidade e são tratadas de maneira inadvertida, tratando somente as consequências, pois não tiveram o diagnóstico de Síndrome dos Ovários Policísticos, a qual deve ser tratada de uma maneira toda especial.

Essa é a patologia endócrina que mais acomete as mulheres no período reprodutivo e está associada a resistência insulínica (podendo evoluir para diabetes), hipertensão arterial sistêmica, obesidade, dislipidemia, infertilidade, maior risco de doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico entre outras. E a causa da SOP é multifatorial, tendo um padrão de herança poligênica associada a fatores ambientais como má alimentação, sedentarismo e muitas outras.

O diagnóstico pelo Consenso de Rotterdam – 2003 se dá pela presença de, pelo menos, dois dos seguintes itens:

  • Disfunção menstrual;
  • Hiperandrogenismo – quadro que cursa com aumento de hormônios sexuais masculinos – clínico e/ou laboratorial;
  • Ovários policísticos à ultrassonografia.

E quando se fala em ovários policísticos à ultrassonografia, existe alguns critérios, sendo o aumento do volume ovariano em mais de 10 ml e/ou presença de 12 ou mais folículos medindo entre 2 e 9 mm de diâmetro em, pelo menos, um dos ovários. E o exame deve ser realizado entre o 3-5 dia do ciclo menstrual e a mulher não deve estar em uso de anticoncepcional oral.

E com aumento dos androgênios (aumento dos hormônios sexuais masculinos) pode haver hirsutismo (crescimento de pelos em locais comuns em homens), acne, alopecia e outras.

 

Consequências da Síndrome dos Ovários Policísticos

  • Obesidade;
  • Hirsutismo (aparecimento de pelos em locais comuns em homens);
  • Acne;
  • Amenorreia;
  • Oligomenorréia;
  • Infertilidade;
  • Abortamento recorrente espontâneo;
  • Apneia do Sono;
  • Intolerância à glicose;
  • Alterações hormonais;
  • Hipertensão arterial sistêmica;
  • Aumento do risco de câncer de útero e mama;
  • Diabetes melitos tipo 2;
  • Dislipidemia (aumento do colesterol e/ou triglicerídeos);
  • Aumento de risco de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico;
  • Esteatose hepática (gordura no fígado);
  • Pode se encontrar também Acantose Nigricans que são manchas escuras mais comuns em regiões de dobras.

 

Tratamento

  • Controle da SOP;
  • Tratar o hirsutismo;
  • Normalizar a menstruação;
  • Promover fertilidade na mulher que desejar engravidar.

Sendo o principal pilar do tratamento a Mudança no Estilo de Vida adotando dieta hipocalórica, pobre em gorduras saturadas, com pouco sódio e exercícios físicos.

E os medicamentos usados no tratamento podem ser:

  • Anticoncepcionais orais com progestágenos como drosperinona ou ciproterona ou clormadinona;
  • Espironolactona;
  • ciproterona;
  • Flutamida (evitada por ser mais tóxica ao fígado);
  • Finasterida;
  • Citrato de Clomifeno – no tratamento da infertilidade;
  • Gonadotrofinas – nos casos não responsivos ao Clomifeno e metformina;
  • Metformina;
  • Inibidores de Aromatase como o Letrozol;

 

Conclusão

Essa patologia muitas vezes deixa de ser diagnosticada ou as vezes é diagnosticada de forma incorreta em quem não apresenta o problema ou ainda é diagnosticada de maneira correta, mas tratada de forma inadequada. Portanto, procure o profissional médico mais adequado para isso, pois do contrário as consequências poderão ser desastrosas.

 

 

Emagrecimento Definitivo Existe?

Emagrecimento Definitivo Existe?

Há uma pandemia de obesidade no mundo, e a mesma aumenta o risco de diversas doenças como diabetes, alguns tipos de câncer, doenças articulares, aumento do colesterol e triglicerídeos, aumento do risco de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, hipertensão arterial sistêmica entre muitas outras.

Portanto, a obesidade deve ser tratada com muita seriedade, com diversas “armas” e sem preconceito. E por ser uma doença crônica, não há cura, somente há o controle, como as outras doenças crônicas:  hipertensão arterial sistêmica, diabetes, em que o indivíduo vai tomar medicamentos para o resto de sua vida, além da mudança do estilo de vida (alimentação adequada e atividade física).

E somente a mudança de estilo de vida pode não ser tão eficaz, e até impraticável para certas pessoas.  E os medicamentos que temos hoje no mercado são caros e muitas vezes não são tão efetivos e a cirurgia bariátrica tem indicações precisas, não devendo ser prescrita para todos os obesos.

Portanto, identificar dietas capazes de produzir um emagrecimento significativo e duradouro é obrigatório, assim podemos lançar mão de uma dieta chamada VLCD (Very Low Calorie Diet) – dieta de muito baixas calorias, pois é uma dieta que resulta em emagrecimento rápido, mais consistente e com baixa perda de massa magra, segundo alguns estudos.

A VLCD é uma dieta com muito poucas calorias (600 a 800 Kcal/dia) e cetogênica, em que é usada proteína de alto valor biológico, vegetais, gordura (azeite de oliva) e no máximo 50 gramas de carboidratos para homens e 30 gramas para mulheres.  Assim, como a ingestão de carboidratos é muito pequena, nosso organismo começa a usar gorduras como fonte de energia, e na metabolização dessas gorduras há grande produção de cetoácidos (por isso chamada dieta cetogênica), os quais atuam na área da fome em nosso sistema nervoso central, diminuindo ou quase abolindo nosso apetite, proporcionando emagrecimento rápido.

Diversos exames são feitos antes e durante a dieta, e o indivíduo tem de fazer uso de poli vitamínicos, minerais e ômega 3 para assegurar que está ingerindo quantidade adequada de nutrientes para manutenção de sua saúde. E associado a isso, atividade física e reeducação alimentar, sendo a última já em fase de readaptação fisiológica e manutenção.

Essa dieta por sua complexidade e levar a intensa modificações em nosso metabolismo, deve ser indicada e prescrita somente por médicos capacitados.

 

Conclusão

A VLCD é uma grande “arma” contra a obesidade e deve ser conduzida por um médico dentro de uma equipe multidisciplinar (médico, nutricionista e educador físico) para que possamos ter o maior sucesso possível no tratamento, preservando e ganhando saúde.

 

Referência Bibliográfica:

MORENO, B.; BELLIDO, D.; SAJOUX, I.; GODAY, A.; SAAVEDRA, D.; CRUJEIRAS, A. B.; CASANUEVA, F. F. Comparison of a very low-calorie-ketogenic diet with a standard low-calorie diet in the treatment of obesity. Endocrine, v. 47, n. 3, p. 793–805, 2014.

MORENO, B.; CRUJEIRAS, A. B.; BELLIDO, D.; SAJOUX, I.; CASANUEVA, F. F. Obesity treatment by very low-calorie-ketogenic diet at two years: reduction in visceral fat and on the burden of disease. Endocrine, v. 54, n. 3, p. 681–690, 2016.