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A Síndrome Metabólica (SM) é um termo genérico que descreve uma condição na qual o paciente possui um quadro de vários fatores de risco para doenças cardiovasculares, como infarto e AVC associados. Essa doença está fortemente associada à excesso de peso e envelhecimento, sendo que sua prevalência tende a aumentar conforme a idade. Conforme dados, um quarto da população mundial possuí a SM e ela pode acarretar consequências tão graves quanto outras doenças como diabetes e câncer.

No Brasil, cerca de 38,4% possuí quadro de SM, e a prevalência é maior entre mulheres. Aproximadamente um a cada três brasileiros têm Síndrome Metabólica.

Infelizmente, essa condição tem atingido pessoas cada vez mais jovens, uma vez que a alimentação regada à Junk Food e o sedentarismo de muitas horas em frente à aparelhos eletrônicos contribuem para o seu desenvolvimento.
Essa síndrome pode também ser chamada de “Síndrome de resistência à insulina”. A insulina é um hormônio que além de desempenhar a função de retirar a glicose do sangue e levá-la às células do nosso organismo, também atua no metabolismo das gorduras. Quando ocorre resistência à insulina, há uma dificuldade de ela exercer suas ações. A síndrome metabólica também recebe esse nome por designar várias doenças e pré-condições que aumentam essa resistência.

O termo Síndrome Metabólica surgiu na década de 80 através de um pesquisador chamado Reaven, ele observou que as doenças frequentes como hipertensão, alterações na glicose e no colesterol estavam, na maioria das vezes, associadas à obesidade. Ele constatou também que essas condições tinham em comum a resistência insulínica. A valorização da presença da síndrome ocorreu após notar-se sua relação com doenças cardiovasculares. A mortalidade entre pessoas com síndrome metabólica é duas vezes maior do que entre pessoas sem a síndrome, e a mortalidade decorrente de doenças cardiovasculares, três vezes maior entre esses pacientes.

Mesmo que, na maioria das vezes, a pessoa com síndrome metabólica possa se sentir bem e não apresentar sintomas, deve-se estar atento, fazendo exames regulares e dando prioridade ao diagnóstico dos fatores de risco. O diagnóstico para síndrome é confirmado quando a pessoa apresenta três ou mais destes fatores:

  • Quantidade de gordura abdominal em excesso: Em homens, cintura com mais de 102 cm e nas mulheres maior que 88cm.
  • Baixo HDL (Colesterol Bom): Em homens, menor que 40mg/dl e em mulheres menos do que 50mg/dl.
  • Triglicerídeos elevado (nível de gordura no sangue): 150mg/dl ou superior.
  • Pressão sanguínea alta: 135/85 mmHg ou superior.
  • Glicose elevada: 110mg/dl ou superior.

Como podemos observar, as chances de desenvolver a síndrome aumentam de acordo com o peso, influenciadas por um estilo de vida sedentário, como já citado, e pré-condições como histórico de diabetes na família.

 

Exames e diagnóstico

Se tratando de um distúrbio complexo, o diagnóstico da síndrome envolve vários aspectos a serem analisados. Entre eles o histórico clínico, que inclui: idade, tabagismo, prática de atividade física, história pregressa de hipertensão, diabetes, diabetes gestacional, doença arterial coronariana, acidente vascular encefálico, síndrome de ovários policísticos (SOP), doença hepática gordurosa, hiperuricemia, história familiar de hipertensão, diabetes e doença cardiovascular e outros.

Os exames que compõe o diagnóstico são; medida da circunferência abdominal, cálculo do IMC e exame cardiovascular. Além desses, o médico também pode solicitar avaliação do nível glicêmico, dosagem do HDL – colesterol e dos triglicerídeos e eletrocardiograma.

 

Prevenção

Conforme a OMS os fatores de risco que mais influenciam na taxa de mortalidade por doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT) são hipertensão, hipercolesterolemia, ingestão insuficiente de frutas, hortaliças e leguminosas, sobrepeso ou obesidade, sedentarismo e tabagismo. Cinco desses fatores estão relacionados à alimentação e à atividade física e três deles têm grande impacto no aparecimento da síndrome metabólica.
Embora alguns pacientes apresentem pré-disposição genética para o desenvolvimento da síndrome, corrigir a alimentação inadequada e a inatividade física ainda é a principal forma de prevenir a doença.

O cenário ideal, que é um desafio para a maioria dos países, é que a população adote desde a infância um estilo de vida mais saudável a fim de prevenir essa síndrome e ter uma expectativa de vida maior e com mais qualidade.

A alimentação adequada, como forma de prevenção, deve ser:

  • Permitir a manutenção do balanço energético e do peso.
  • Reduzir a ingestão de calorias sob a forma de gorduras, mudar o consumo de gorduras saturadas para gorduras insaturadas e reduzir o consumo de gorduras trans
  • Aumentar a ingestão de frutas, hortaliças e legumes
  • Reduzir a ingestão de açúcar livre e de sal (sódio) sob todas as formas.
    A atividade física também deve ser priorizada, uma vez que baixo condicionamento cardiorrespiratório e pouca força muscular aumentam a prevalência da SM em três a quatro vezes. O recomendado é praticar pelo menos 30 minutos de atividade diária, pode ser aeróbica de moderada intensidade.

síndrome metabólica

 

Tratamento

Pelo fato dessa Síndrome Metabólica estar associada ao maior número de eventos cardiovasculares, é importante tratar cada um dos fatores que compõe a síndrome. Cada quadro deve ser avaliado e orientado individualmente por um endocrinologista, que poderá prescrever medicamentos para ajudar no controle dos fatores, como os sensibilizadores da insulina, que ajudam a baixar a açúcar no sangue e remédios controle da hipertensão e triglicérides.

Mas também é fundamental seguir com as medidas descritas na prevenção, estilo de vida mais saudável, evitando fumo e álcool, praticando atividades físicas regulares e perdendo peso.

Além disso, recomenda-se que o tratamento para obesidade deva ser o foco principal do tratamento da síndrome metabólica. Esse deve ser feito através de orientação e acompanhamento médico, podendo haver recomendação de remédios ou procedimentos cirúrgicos quando necessário.

Fique atento, tenha bons hábitos, faça exames regulares. cuide de sua saúde e consulte seu médico caso perceba dois ou mais fatores de risco da síndrome metabólica.