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Entenda como a obesidade se torna um fator de risco: Segundo a Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), no Brasil, mais da metade da população tem sobrepeso e a obesidade atinge um a cada cinco brasileiros. Ela é uma doença crônica que representa fator de risco para várias outras doenças como as cardiovasculares, neoplasias e diabetes.

 

Mas há ainda um outro motivo de preocupação sobre essa condição. Conforme estudos realizados por pesquisadores americanos e apresentados na Conferência Anual da Associação Norte-Americana do Coração de 2020, a obesidade é o principal fator que eleva o risco de internações e morte de jovens que são infectados pela Covid-19. De acordo com a pesquisa, adultos com obesidade grave apresentaram risco 26% maior de óbito do que pessoas com peso normal e 80% dos pacientes com menos de 50 anos hospitalizados devido à infecção pelo Covid estavam com sobrepeso ou obesidade.

 

Segundo outra pesquisa, realizada por um brasileiro e publicada na revista Obesity Research & Clinical Practice, a probabilidade de uma pessoa obesa desenvolver a forma grave da COVID-19 é alta e independe da idade, do sexo, da etnia e da existência de comorbidades. Nos estudos realizados por eles, constatou-se que 9,4% dos obesos internados em UTI evoluíram para óbito.

 

Por isso, apesar ser uma doença subestimada, a obesidade foi considerada entre a população geral, o segundo maior fator de risco para Covid-19 grave, atrás somente do fator “idade”, além de ser causa de progressão rápida da doença e aumentar o risco de internações em UTI e de morte.

 

Diante dessas evidências, o Protocolo Estadual de Infecção Humana pelo SARS-COV-2 considerou que a obesos no grau 3 do IMC estão no grupo de risco. Mas isso não exclui a necessidade de atenção para os outros níveis de obesidade, como os que estão com sobrepeso.

 

A primeira vez em que a obesidade foi apontada como um fator de risco independente para doenças contaminantes foi em 2009, com a pandemia do vírus H1N1. E novamente, com a Covid-19, ela voltou a ser considerada um fator agravante.

 

Há muitos mecanismos de atuação da obesidade que explicam por que ela tem potencial para agravar a Covid-19. Um deles é o acúmulo de gordura, principalmente entre as vísceras (órgãos e músculos internos), chamada de gordura visceral, cria um processo inflamatório constante no organismo que propicia a resistência à insulina, hipertrigliceridemia e progressão para síndrome metabólica, além de induzir doenças como diabetes, hipertensão e dislipidemias.

 

Quem sofre com alguma dessas doenças ou outras condições pré-existentes, está ainda mais pré-disposto a desenvolver a Covid grave.

 

Esse processo pró-inflamatório causado pela obesidade ocorre por que o excesso de gordura aumenta a concentração de marcadores inflamatórios circulantes, entre eles, IL-6 (interleucina 6), PCR (Proteína C-reativa), TNFα (fator de necrose tumoral) e dentre outros, que as pessoas obesas apresentam em índices elevados

 

A obesidade por si só também representa um risco, uma vez que indivíduos com essa condição apresentam uma atividade imunológica diminuída. O tecido adiposo, onde a gordura se acumula, é responsável pela produção de várias moléculas que influenciam o sistema imune (como as adipocinas pró-inflamatórias) e essas induzem o estresse oxidativo e resistência à leptina (hormônio que regula a ingestão alimentar), promovendo uma redução da atividade imune.

 

O corpo com obesidade possui uma capacidade limitada de produzir anticorpos e interferons (classe de proteínas secretada por células de defesa e essencial para inibir a replicação viral). Além disso, o tecido adiposo acaba funcionando como uma espécie de “reservatório” para o vírus, propiciando que ele permaneça por mais tempo no organismo.

 

Há estudos que apontam que os obesos têm maior tendência a desenvolver infecções secundárias e evoluir para complicações durante internações hospitalares. Lembrando que dentre os processos infecciosos, as mais frequentes são as infecções respiratórias.

 

Aliás, a respiração é outro processo no qual a obesidade interfere, o que também soma ao seu potencial de agravamento da Covid. Quando se expande, o pulmão se esforça muito para empurrar o peso do tórax de uma pessoa obesa, causando fadiga da musculatura respiratória. Também por isso, o diafragma precisa fazer uma força muito maior para vencer a pressão intra-abdominal. O excesso de gordura também faz com que a tempestade de citocinas inflamatórias desencadeada pelo Covid-19 seja ainda mais lesiva ao pulmão, por isso esses pacientes acabam em mais de muitos casos apresentando maior necessidade de ventilação mecânica.

 

Entenda como a obesidade se torna um fator de risco: Então, o que fazer?

 

Vários dados apontam que houve uma diminuição de bons hábitos durante a pandemia, tanto por conta dos locais de prática de atividade física que estão fechados e por isso elevaram o comportamento sedentário no país, quanto por conta do isolamento social que fomentou um aumento no consumo de alimentos calóricos e pouco saudáveis e uma diminuição no consumo de legumes e frutas.

 

Mas, as pessoas obesas, tendo consciência de seu fator de risco, devem redobrar a prevenção contra a Covid, seguindo as recomendações sanitárias já conhecidas de higienização e uso de máscaras. E, além disso, buscar o tratamento e auxílio médico para tratar a obesidade, a fim de sair desse grupo de risco e evitar também outras doenças que o excesso de peso pode induzir, como diabetes, infarto e doenças cardiovasculares.

 

Primeiramente é necessário fazer o diagnóstico preciso da obesidade e do seu grau conforme o índice de massa corporal (IMC). O tratamento deve ser proposto por médico especialista e seguido corretamente, apostando na reeducação alimentar e na prática de exercícios físicos que além de atuarem no controle de peso e combaterem a obesidade, também ajudam na resposta do organismo à Covid, uma vez que melhoram a capacidade cardiorrespiratória.

 

Entenda como a obesidade se torna um fator de risco: Outro aspecto importante é levar a sério o seu diagnóstico de obesidade enquanto uma doença séria que ela é, reconhecendo a necessidade e acompanhamento profissional e não apostando em regimes drásticos por conta própria.

 

Diminuir o consumo de alimentos inflamatórios, como os derivados de carnes e embutidos, linguiças e salsichas, além dos gordurosos, açucarados, ultra processados e investir em alimentos naturais é outra dica importante, não só para o controle da obesidade, como também para o aumento da imunidade contra a Covid.

 

Não se descuide e busque apoio com médico especialista.